terça-feira, 6 de novembro de 2012

A balada dos gatos agonizantes

Miavam como crianças, aos pares ou trios, por tantos. Cigarras queriam confundir o inquestionável. Matariam gatos. Ou os gatos morreriam por si. Nem os bêbados costumazes serviriam de testemunhas. Quem ouvia pensava sem dizer que era morte suja, prolongamento de morte, atraso proposital, tortura.


Que fariam os gatos? Que fariam com eles? Que teriam feito?

( mieouu)

Assim. Rasgando a vizinhança, que ignorava o choro. Choro agudo, alto, como miado de alegria. Mais agudo. Da alegria à agonia são poucas letras e poucos tons. A vizinhança tentava ignorar. A noite parindo as ignorâncias.

(mieouu)

Uma janela acende, um curioso acorda. Sacode o sono, vai à janela. Que diabos! Se continuar vou lá. Lá onde? Outro lado, o das ignorâncias. Gatos miando sofrendo, desexistindo. A janela desiste, miados lejos, gatos culpados, amanhã pego às sete.

Dorme com o sossego de não interromper o que não lhe apetece. Melhor fixar nas cigarras, zumbidos eternos de vidas efêmeras.

( miii miii) quase desistem os malditos, terminem isso pelamordedeus, antes que... Antes que alguém interfira.

Silenciem, nem que morram! (arranhões, mieou, poucos latidos)

Enfim,durmo.

7 comentários:

  1. Suas histórias têm finais muito bons, nada convencionais e tampouco premeditados.

    muito legal!

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